segunda-feira, 23 de maio de 2016

O caso Jucá e a reação às denúncias

A mídia publica uma denúncia fatídica contra um ministro ou outro personagem central do governo; o desgaste, para ambos, é imediato e avassalador; o personagem é demitido, de acordo com uma lógica do tipo "perder os anéis para manter o dedo".

Esse processo se repetiu diversas vezes nos governos Lula e Dilma - e agora, ocorre pela primeira vez no de Temer. Para além da discussão sobre a legitimidade de um e de outro governo, observam-se ao menos duas diferenças no modo de reagirem: a primeira é que o padrão da reação petista era delongar: sem propriamente defender o acusado, adiava-se sua demissão, com o exército "progressista" culpando a "mídia golpista". Ao final, após semanas de desgaste, com a persistência do que J.B. Thompson chama de "escândalo político-midiático", o indigitado ia pra rua.

A segunda, com raras exceções (como Palocci), é que, durante os anos petistas, a demissão correspondia a a um exílio na Sibéria: ao menos institucional e publicamente, o demitido perdia poder de influência e mesmo de interlocução com o governo. Já Jucá "cai pra cima": não só volta para o Senado, mas com a chancela política de Temer, que chegou a declarar "precisar" dele lá.

À primeira vista, do ponto de vista da estratégia administrativa, a rapidez com que Temer agiu tenderia a ser vista como um ponto positivo, comparada à letargia desgastante de Lula e Dilma para com os denunciados. Por outro lado, a reafirmação da importância do Jucá senador para o Temer soa como um flanco de vulnerabilidade , o qual sugere o prolongamento do desgaste do governo, ainda que em outro patamar..

Talvez seja cedo para prognósticos. A reação da sociedade e dos demais atores políticos é quem deve determinar seu desfecho. Mas uma coisa parece certa: a denúncia do caso Jucá pela Folha de S. Paulo demonstra, uma vez mais e para os que ainda teimam em se recusam a ver, que, malgrado seus inúmeros problemas e tendenciosismos, a mídia como inerentemente golpista e antipetista é uma falácia ideológica, desmentida pelos fatos.

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